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domingo, 24 de julho de 2016

Cearense preso por suspeita de terrorismo planejava fabricar bombas para explodir durante Rio-2016

cearense Daniel Freitas Baltazar, preso pela Polícia Federal na Operação Hashtag, planejava, segundo investigação, construir bombas para explodir em atentado terrorista durante os Jogos Olímpicos na Rio de Janeiro.
A Operação investiga 14 suspeitos de planejar atos terroristas no evento esportivo. No total, já foram 11 brasileiros presos na ação, um ainda está foragido. A PF já divulgou o nome dos 13 alvos da iniciativa, porém manteve a identidade do 14º, por ser menor de 18 anos.
FBI
As informações sobre uma suposta célula terrorista ligado ao Estado Islâmico, que motivou a Operação Hashtag, partiu do FBI, agência americana de investigação.
O órgão chegou a encaminhar um documento ao governo brasileiro avisando que pelo menos seis pessoas faziam apologia ao grupo terrorista e apresentavam características extremistas.
Os seis indicados pela agência americana estão presos.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Ex-prefeito de Santa Quitéria é condenado por abuso de poder político e se torna inelegível por oito anos

O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará condenou nesta segunda-feira (18) o ex-prefeito de Santa Quitéria, Francisco das Chagas Magalhães Mesquita, por abuso de poder político e conduta velada, durante a campanha das Eleições de 2012, quando concorreu à reeleição e ficou em terceiro lugar na votação.
Por unanimidade, a Corte do TRE-CE, manteve a sentença de 1º grau, na Ação de Investigação Eleitoral nº 298-33, cuja relatora foi a desembargadora Nailde Pinheiro Nogueira, que condenou o ex-prefeito a 8 anos de inelegibilidade, a contar da data da eleição de 2012, e multa de 6 mil UFIRs.

Chefe do PCC no Ceará revela na Polícia Federal ter pago propina a delegados e oficiais

Uma denúncia bombástica foi revelada à Polícia Federal no Ceará por um homem preso  pelo envolvimento com o tráfico de drogas e armas no eixo Rio Grande do Norte-Ceará e conexões no Paraguai. Em declarações na sede da PF, após a deflagração da “Operação Cardume”, em setembro do ano passado, o bandido, que é um dos dirigentes da facção criminosa paulista Primeiro Comando da Capital, o PCC, revelou uma rede de pagamento de propina milionária a  delegados e coronéis -  agentes da Segurança Pública do Estado. Os nomes apontados pelo suspeito permanecem em sigilo, mas a delação implodirá o Governo Camilo Santana.
O homem que decidiu delatar os agentes aliciados pelo crime e recebedores do dinheiro “sujo” do tráfico chama-se Lindoberto Silva de Castro, conhecido pelo apelido de “Louro”, natural de Cascavel (a 53Km de Fortaleza) que atuava como empresário de “fachada” do ramo de  exportação de camarão no Litoral Leste do Ceará.  Na verdade, segundo a PF,  trata-se do líder de uma quadrilha local subordinada ao PCC. Além do tráfico de drogas, o grupo teria envolvimento com o contrabando de fuzis e assaltos a bancos.
Milhões
Preso em outubro do ano passado, “Louro” teria feito a confissão na PF, apontando delegados da Polícia Civil cearense  e oficiais da Polícia Militar como beneficiários do dinheiro do tráfico. Ou seja, tais agentes constavam na extensa lista da propina do PCC no Estado. Há a acusação por escrito que um delegado da Polícia Civil teria recebido um repasse de R$ 4 milhões. Outro teria usado uma construtora como “fachada” para lavar a propina. Os suspeitos não foram ainda ouvidos pela PF. Mas, a sigilosa investigação avança.  
Antes de sua captura pela Polícia Federal, no ano passado, “Louro” havia sido preso outras duas vezes em 2012. A primeira, quando foi interceptado em seu Corolla na rodovia estadual CE-040, no Eusébio, sendo abordado por inspetores da Delegacia de Narcóticos (Denarc).
Naquela ocasião, “Louro” acabou preso em flagrante com 29 quilos de maconha, na companhia de um pastor evangélico e de outros dois homens, todos identificados como Gleidiano Mafarre da Silva Lima, 26 anos, natural de Angicos (RN), e que seria o pastor; Marciano do Nascimento Alves, 29 anos, natural de Cascavel, e que se identificou como jardineiro; e Antônio Marcos Gomes Monteiro, 34, natural de Natal (RN).
Ainda em 2012, depois de ser libertado, “Louro” voltou a delinqüir e acabou preso após envolvimento no assalto a um banco na cidade de Palhano, no Vale do Jaguaribe (a 163Km de Fortaleza). Passou pouco tempo preso e logo voltou a agir no tráfico.
Conforme o delegado Janderlyer de Lima,chefe  da Delegacia de Combate ao Crime Organizado no Ceará (Decor), todo o armamento que a quadrilha do bandido “Louro” usava foi trazido do Paraguai.
Camilo
A delação de “Louro” tende a agravar a crise na Segurança Pública do Governo Camilo Santana. A relação dos suspeitos de envolvimento com a propina do PCC é mantida em segredo.
No último mês de maio, o juiz  Danilo Fontenelle, titular da 11ª Vara Criminal da Justiça Federal no Ceará, acatou um requerimento do Ministério Público Federal (MPF) e determinou que "Louro" fosse recolhido a uma ala especial de segurança máxima da Penitenciária da Pacatuba destinada a presos que correm risco de morte.


quinta-feira, 30 de junho de 2016

Polícia Federal deflagra 'Operação Tabela Periódica' no Ceará e mais oito Estados

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (30) a Operação Tabela Periódica, considerada um desdobramento da Lava-Jato. A ação acontece no Ceará, Goiás, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Bahia e Espírito Santo. O objetivo é investigar crimes de cartel, fraude em licitações, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro em obras da ferrovia Norte-Sul.
Estão sendo cumpridos 44 mandados de busca e apreensão e 14 de condução coercitiva - quando os investigados são levados para prestar depoimentos. A operação decorre do acordo de leniência que a Camargo Corrêa fechou com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), com a anuência do Ministério Público Federal de Goiás (MPF/GO).

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Investigado por fraude em fundos de pensão, amigo de Cunha se entrega à PF

Procurados desde a última sexta-feira, 24, por desvios de R$ 90 milhões nos fundos de pensão Petros e Postalis, os empresários Ricardo Magro e Carlos Alberto Peregrino da Silva se entregaram na manhã desta segunda-feira, 27, à Polícia Federal do Rio. Os dois eram ligados ao Grupo Galileo, investigado na Operação Recomeço, deflagrada na última sexta-feira pelo Ministério Público Federal (MPF). Magro também é amigo e ex-advogado do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB).
Magro estava nos Estados Unidos e se entregou nesta manhã após desembarcar no aeroporto internacional do Rio. Seu nome já integrava a lista de procurados da Interpol, após ser considerado foragido desde a última sexta-feira. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), ele cumpre prisão temporária de cinco dias e deverá prestar depoimento às autoridades que investigam fraudes e desvios de recursos dos fundos de pensão para a aquisição de títulos financeiros do Grupo Galileo.
O empresário também é dono da Refinaria de Manguinhos, no Rio, investigada por sonegação fiscal, e é ligado a uma rede de empresas offshores em paraísos fiscais revelada pelo Panama Papers. Magro tem relações políticas que serão investigadas pela operação. Além da proximidade com o deputado afastado Eduardo Cunha e com políticos do PMDB do Rio, Magro mantinha relações com Marcelo Sereno, que foi chefe de gabinete de José Dirceu quando era ministro da Casa Civil no governo do ex-presidente Lula.
Além do empresário, o ex-diretor do Grupo Galileo Carlos Alberto Peregrino da Silva também se entregou nesta manhã à Polícia Federal. A prisão temporária dos dois suspeitos foi decretada na última sexta-feira pela 5ª Vara Federal Criminal do Rio, que investiga crimes de gestão fraudulenta, desvio de recursos de instituição financeira, associação criminosa e negociação de títulos sem garantia.
A operação investiga fraude na aquisição de títulos financeiros do Grupo Galileo, que administrava universidades particulares do Rio. Segundo o MPF, em 2010 o grupo emitiu títulos para a recuperação de uma universidade no valor de R$ 100 milhões. Os recursos, entretanto, não teriam sido aplicados na administração da empresa, que decretou falência cerca de três anos depois. Os procuradores ainda investigam o destino dado aos recursos desviados.
Três pessoas foram presas na operação na última sexta-feira, entre elas o ex-diretor Financeiro do fundo Postalis Adilson Florêncio da Costa. Outras duas pessoas ainda são consideradas foragidas. Ao todo, foram expedidos sete mandados de prisão preventiva, além de busca e apreensão em 12 endereços em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Os suspeitos e outras 39 pessoas tiveram bens bloqueados no valor total de R$ 1,35 bilhão.
Além da operação sobre o Grupo Galileo no Rio, há outras sete investigações sobre o Fundo Postalis em curso no MPF do Distrito Federal. Além desses procedimentos, outros 28 investimentos realizados por fundos de pensão de empresas estatais são alvo de investigação do Ministério Público Federal. Há negócios dos fundos da Petros, Previ e da Funcef, ligados às empresas Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, respectivamente. Um grupo de trabalho foi montado na última semana para apurar os casos, selecionados por suspeitas de irregularidades nos valores envolvidos.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Presos ignoram a Força Nacional de Segurança e fogem da CPPL 5, em Itaitinga

A presença de tropas da Força Nacional de Segurança (FNS) no Complexo Penitenciário de Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza, não impediu que uma nova fuga ocorresse ali durante a madrugada deste sábado (18).  Na semana, foram 10 fugas, com 65 foragidos no Sistema Penal e delegacias do Ceará.
Pelo menos, sete detentos que estavam recolhidos na Casa de Prisão Provisória da Liberdade Cinco (CPPL 5) - ainda não inaugurada mas já ocupada por mais de 500 presos – escaparam utilizando “teresas”, que são cordas feitas com pedaços de pano. Eles teriam, escalado a muralha e se embrenhado no matagal, chegando até as margens da BR-116.
No entanto, um cerco foi montado pelas polícias Militar, Rodoviária Federal e pela própria Força Nacional de Segurança. O Grupo de Apoio Penitenciário (GAP) também deslocou unidades para a caça aos foragidos.
Mas foram patrulhas da PRF as responsáveis pela recaptura de seis dos sete fugitivos. O último foragido ainda está sendo procurado.
Fugas
Com a ocorrência registrada na madrugada deste sábado, subiu para 10 o número de ocorrências de fuga em apenas uma semana, com um total de 65 presos foragidos.
Veja o resumo das fugas na semana:
Cadeia Pública de Pedra Branca (4 foragidos)
Cadeia  Pública de Trairi (3 foragidos)
Cadeia Pública de Fortim (1 foragido)
Cadeia Pública de Limoeiro do Norte (2 foragidos)
Cadeia Pública de Pindoretama (2 foragidos)
Cadeia Pública de Bela Cruz (4 foragidos)
Cadeia Pública de Massapê (6 foragidos)
Delegacia 15º DP/Cidade 2000/Capita (8 foragidos)
CPPL 5/Itaitinga (7 foragidos)
Penitenciária de Pacatuba (28 foragidos)
TOTAL = 65 foragidos (6 recapturados)

Em menos de um mês, mais de 60 presos já fugiram de cadeias públicas e presídios cearenses

Já passa de 60 o número de presos que fugiram de presídios e cadeias públicas cearenses somente neste mês. No fim de semana, mais duas fugas ocorreram no Complexo Penitenciário de Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), onde estão concentradas seis unidades carcerárias de grande porte.
Na madrugada de sábado passado (18), pelo menos, sete detentos conseguiram escapar da Casa de Privação Provisória da Liberdade Cinco (CPPL 5), onde funciona também o Centro de Execução Penal e Integração Social, unidade que ainda está em fase de construção e que tinha inauguração agendada pelo Governo para dezembro próximo. Contudo, devido à destruição de outras unidades durante a mega rebelião ocorrida nos dias 21 e 22 de maio passado, a CPPL 5 teve que abrigar, pelo menos, 500 presos.
Os presos utilizaram uma escada de aproximadamente sete metros de altura e uma corda feita artesanalmente com lençóis, conhecida como “Tereza”, para escalar o alambrado que cerca o presídio. Em seguida, eles se refugiaram no matagal e tentaram, chegar às  margens da BR-116. No entanto, patrulhas da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em atuação naquele trecho da rodovia, acabaram recapturando seis dos foragidos.
Outra
Já na madrugada de domingo (19), uma fuga foi registrada na CPPL 4, também em Itaitinga. O número de presos que conseguiram escapar ainda não foi revelado pela Secretaria da Justiça e da Cidadania (Sejus), que informou a recontagem para esta segunda-feira. Boatos falam de até 30 foragidos, porém, foram confirmadas até agora, quatro fugas.
Na manhã deste domingo um preso da CPPL 3 foi encontrado morto. As suspeitas são de mais um caso de assassinato por “acerto de contas” entre os internos da unidade. O nome do preso não foi revelado. O corpo foi encaminhado para a Coordenadoria de Medicina Legal (Comel).
Rebelião
Na Região Norte do Estado, o clima ainda é tenso na maior unidade penitenciária daquele setor do Ceará. A Penitenciária Industrial Regional de Sobral (PIRS), passou por uma violenta rebelião na última sexta-feira (16).  Os detentos denunciaram a superlotação e praticaram atos de vandalismo. Quebraram todas as grades das celas e galerias, tocaram fogo em colchões e roupas e fizeram agentes penitenciários reféns.
O tumulto só terminou após várias horas de negociação com as autoridades e com a intervenção do Grupo de Apoio Penitenciário (GAP) que foi mandado de Fortaleza para Sobral em um helicóptero da Ciopaer.
Além dos presídios da Grande Fortaleza, neste mês já ocorreram fugas nas cadeias públicas das seguintes cidades, Pedra Branca, Trairi, Fortim, Limoeiro do Norte, Pindoretama. Bela Cruz e Massapé, além da Penitenciária de Pacatuba e na delegacia do 15º DP (Cidade 2000).

terça-feira, 17 de maio de 2016

Novos detentos são probidos na Cadeia Pública de Russas

O juiz Lucas Sobreira de Barros Fonseca, em respondência pela 1ª Vara da Comarca de Russas, proibiu a entrada de novos presos na Cadeia Pública do Município, localizado a 160 Km de Fortaleza. A medida objetiva controlar a entrada de detentos, manter a ordem, a segurança e o regular funcionamento do estabelecimento prisional.
De acordo com o documento, o ingresso de qualquer detento só ocorrerá com autorização prévia, expressa e escrita de magistrado. Os pedidos de transferência para o estabelecimento prisional também deverão ser submetidos ao juiz responsável para a devida autorização.
O magistrado Lucas Sobreira prezou a carência de recursos existentes no estabelecimento penal, inclusive, por prestar a segurança dos presos e funcionários. Também levou em conta o artigo 66 da Lei Federal nº 7.210/84, o qual estabelece que cabe ao juiz da execução penal “inspecionar, mensalmente, os estabelecimentos penais, tomando providências para o adequado funcionamento e promovendo, quando for o caso, a apuração de responsabilidade”.
Com Tribunal de Justiça do Ceará

Mutirão da Justiça beneficia 382 apenados do IPPO II

Em três dias de mutirão, o projeto “Ação Concentrada: Justiça no Cárcere” concedeu 382 benefícios a presos que cumprem pena no Instituto Presídio Professor Olavo Oliveira II (IPPOO II), em Itaitinga. A iniciativa foi realizada pelo Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), por meio das 2ª e 3ª Varas de Execução Penal (VEP) de Fortaleza, e da Secretaria da Justiça e Cidadania do Ceará (Sejus).
Juntas, as duas VEPs conseguiram analisar todos os processos que tramitam nas unidades judiciárias, somando um total de 739 ações revisadas. Após a análise, mais da metade dos apenados obtiveram benefício como prisão domiciliar, progressão de regime aberto, indultos, extinção da pena, saídas temporárias, livramento condicional, trabalho externo, entre outras decisões.
“Os números mostram que o resultado foi muito bom, apesar do volume de trabalho. A ação tanto deu mais celeridade aos processos como vimos que 50% dos apenados tinham direito a benefício. Um resultado desse jamais conseguiríamos ter sem uma ação concentrada, trabalhando somente dentro do Fórum. A gente pode dizer que regularizou os processos, reconheceu direitos já alcançados e promoveu a aproximação do Poder Judiciário da população carcerária”, destaca a juíza Luciana Teixeira, titular da 2ª VEP, atualmente atuando como juíza auxiliar da Vice-Presidência do TJCE.
com TJCE

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Polícia registra duas rebeliões simultâneas em Fortaleza

Duas rebeliões foram registradas simultâneas na noite desse domingo (1º), em Fortaleza. De acordo com o juiz Manuel Clistenes de Façanha e Gonçalves, da 5ª Vara da Infância e Juventude da Comarca de Fortaleza, a Unidade de Recepção Luis Barros Montenegro, que fica localizada no bairro Presidente Kennedy, registrou a fuga de 21 adolescentes, um policial ferido e um funcionário de refém. Já o Centro Socioeducativo do Passaré, no bairro Passaré, não contou com fuga de menores infratores, nem feridos em estado grave, mas parte do prédio da unidade ficou danificada. A Polícia foi acionada, um helicóptero da Ciopaer (Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas) deu apoio às buscas, mas ainda não há informações se houve a recaptura de alguns dos fugitivos.
Na unidade de recepção, o acúmulo de adolescentes e problemas ocorridos no plantão judiciário – como a ausência de um promotor – e a falta de luz contribuíram para o início da rebelião. “Todos os atendimentos ficaram prejudicados. Então, a unidade, que comporta no máximo 25 a 30 adolescentes, ficou com 50. Superlotada. Some-se esta situação de desconforto a insatisfação dos adolescentes por não terem tido as situações resolvidas ainda no fim de semana, e o resultado foi essa rebelião”, explicou o magistrado.
O juiz considera que a ação na unidade de recepção foi de grandes proporções e informa que a crise no sistema socioeducativo no Estado vem se agravando em 2016. “É mais preocupante é o fato das fugas em uma área tipicamente residencial e comercial. Eu fui comunicado destes fatos por volta de 19h e estava tentando solucionar o problema junto a coordenadora das Medidas Sócio Educativas, Mariana Abreu, quando deu-se início a rebelião”, informou.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Gatos sofrem agressões e são usados para transportar droga



Detentos de unidades prisionais da Região Metropolitana de Fortaleza têm utilizado gatos para transportar drogas e aparelhos celulares entre as celas. Além disso, os animais sofrem maus-tratos por parte dos presos. A denúncia partiu do Sindicato dos Agentes Penitenciários e do Centro de Zoonozes, que, em parceria com a Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus), já retiraram aproximadamente 120 gatos das unidades de Caucaia e do Presídio Feminino, em Aquiraz. Os felinos são levados para feiras de adoção.
Conforme o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, Valdomiro Barbosa, os presos faziam uma espécie de adestramento com os animais e utilizavam alimentos para atrair os felinos para as celas. Quando os gatos se aproximavam, a comida era retirada e, neles, eram amarrados drogas e celulares. Em seguida, o preso que receberia a encomenda, adotava o mesmo procedimento para chamar os animais. 
Os gatos ficam soltos e no IPPOO II ( Instituto Presídio Professor Olavo Oliveira II) o corredor é cheio de fezes”, relata o sindicalista. Já a denúncia de maus-tratos vem da coordenadora do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Rosânia Ramalho. Ela explica que a reprodução dos animais dentro das unidades fez com que alguns dos detentos adotassem os felinos, mas também havia aqueles que descontavam os “desprazeres do confinamento” nos animais. 
Eles chegam agitados aqui, não gostam de proximidade. A gente faz um trabalho de ressocialização”, conta. Segundo Rosânia, há relatos de presos que usam cossocos (armas artesanais) contra os animais. “E era comum ver gatos ensanguentados e com as cabeças rachadas, porque os presos tentavam passar os gatos pelas grades para o transporte da droga e dos celulares”, lamenta.

Projeto 
A gestora explica que o projeto para a retirada dos gatos começou em agosto de 2015. Segundo a Sejus, foi reformado um espaço no CCZ para servir de abrigo, medida adotada logo que foi descoberta a possibilidade do uso de animais para o transporte de drogas. Também foram motivações o risco de transmissão de doenças e o fim dos maus-tratos.
 Saiba mais
Feira
A primeira feira de adoção ocorreu no dia 2 de abril, no Shopping Benfica. O evento continua até que todos os gatos sejam retirados das unidades. 
 Fugas e rebeliões
Rebeliões e fugas têm sido recorrentes em unidades prisionais da Região Metropolitana .A última aconteceu no Centro de Triagem, no dia 25.

MPCE ingressa com Ação de Improbidade Administrativa contra prefeito de Saboeiro

O Ministério Público do Estado do Ceará, através do promotor de Justiça Herbet Gonçalves Santos, propôs nesta quinta-feira (28/04) uma Ação Civil Pública por Ato de Improbidade Administrativa combinada com pedido de tutela de urgência contra o prefeito de Saboeiro, Marcondes Herbster Ferraz, em razão de abandono do Conselho Tutelar.
O MPCE requer a condenação do prefeito em razão da prática de ato de improbidade administrativa, previsto no artigo 11, “caput” (violação aos princípios da Administração Pública) da Lei 8429/92, com as seguintes sanções: perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos, pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos.
“O prefeito municipal deixou de agir (negligência) – omissão dolosa e incúria com a coisa pública – violando os princípios da legalidade, moralidade e eficiência em afronta ao interesse público meta a ser intransigentemente perseguida pelo administrador responsável”, informa o promotor.
Em setembro de 2010, o MPCE abriu Procedimento Administrativo tendo como objetivo o funcionamento adequado do Conselho Tutelar, mirando a aquisição de melhores condições de trabalho aos conselheiros. Mesmo com Recomendações feitas à Prefeitura de Saboeiro, nenhuma solicitação foi atendida. Em abril deste ano, o Ministério Público realizou inspeção na unidade do Conselho Tutelar, a partir de novo Procedimento Administrativo com o objetivo de verificar a estrutura da unidade. Nessa inspeção, foram constatadas irregularidades como ausência de impressora, de telefone fixo, de acesso à internet e de veículo automotor. O Conselho tampouco recebeu o “kit” de equipamento da Secretaria de Direitos Humanos. No ano passado, o órgão ficou quatro meses sem fornecimento de água.
Segundo Herbet Santos, o Conselho Tutelar não possui infraestrutura adequada, não permitindo um atendimento digno, de acordo com a realidade do Município. “Em decorrência da precariedade de estrutura, o Conselho Tutelar tem muitas dificuldades de realizar os relatórios sociais a pedido do Ministério Público e Poder Judiciário, o que causa um enorme prejuízo às demandas judiciais e extrajudiciais”, detalha.
A Ação Civil Pública pede que a Justiça determine que o Município de Saboeiro realize melhorias no Conselho Tutelar, dando espaço adequado para a sede, custeio com mobiliário permanente, aquisição de veículo, impressora, internet, computadores, linha de telefonia fixa, entre outros materiais e produtos

Órgãos públicos se únem no combate a festas para menores com drogas e bebidas

Ações policiais realizadas em Fortaleza e Região Metropolitana em pouco mais de um mês já renderam o fechamento de cinco festas com drogas e bebidas destinadas a menores. Mas, o combate a crimes desta natureza não para por aí. Nesta quinta-feira (28), representantes de vários órgãos públicos do Ceará se reuniram para discutir estratégias a serem adotadas em caráter preventivo e repressivo para proteger as crianças e os adolescentes.
“Nosso objetivo é proteger os menores de se tornarem vítimas de eventos com venda de bebidas e entorpecentes e de casos de exploração sexual”, ressalta o delegado Fernando Menezes, coordenador da Coordenadoria Integrada de Planejamento Operacional (Copol) da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), que participou da reunião, como representante da SSPDS. Além dele, estiveram presentes representantes das Polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros Militar (CBMCE), Juizado da Infância e da Juventude, Secretaria Municipal da Segurança Cidadã de Fortaleza, Guarda Municipal, Vigilância Sanitária, Conselhos Tutelares, da Coordenadoria de Políticas sobre Drogas de Fortaleza e Coordenadoria do Juizado e Infância e da Juventude do Ministério Público.
A reunião foi realizada na Coordenadoria da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Ceará, sendo presidida pela desembargadora Maria Vilauba Fausto Lopes. O encontro abordou ações que vão contribuir para intensificar fiscalizações e ações policiais com o objetivo de inibir festas e eventos que envolvam a presença não autorizada de menores, bem como o combate a venda de bebidas e drogas e de exploração sexual de menores em casas de show, motéis e locais locados para estas finalidades. De acordo com o delegado Fernando Menezes, alguns criminosos tentam enganar a Polícia promovendo eventos do tipo em imóveis particulares como casas e sítios. “Esses locais também serão alvo das fiscalizações”, esclarece ele.
Para a delegada Ivana Timbó, que também esteve presente na reunião e é titular da Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa), responsável por investigar os casos, o encontro foi muito produtivo. “Todos estão engajados em reprimir essas orgias que são feitas para menores”, enfatiza ela. Esta foi a primeira reunião com esta finalidade.

Homicida é preso em flagrante por homicídio em Maracanaú

Um homem conhecido como “Matiou” foi preso logo após matar um amigo, na manhã desta quinta-feira (28), em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza. O preso confessou o crime e ainda disse que passou a noite usando drogas e ingerindo bebida alcoólica. O caso foi registrado no 28º Distrito Policial.
“Matiou” se trata de José Pereira de Oliveira (36), que assumiu ter esfaqueado seu amigo, identificado como Francisco Ferreira da Silva (52), conhecido como “Chico Olhão”. O crime ocorreu por volta de 7 horas da manhã de hoje, na Rua Guarani, bairro Parque Piratininga, em Maracanaú.
O preso também confessou que é viciado em crack e que das 19 horas de ontem até às 04 horas da madrugada de hoje usou crack, maconha e ingeriu bebida alcoólica em sua casa – situada também na Rua Guarani. A vítima chegou à residência por volta de 02 horas e lá permaneceu até as 4h30min, também bebendo.
Matiou alegou ter cometido o crime por a vítima ter realizado um serviço de pintura em seu lugar, cobrando R$ 50 a menos. O crime foi cometido no local do trabalho, em uma casa. Ele ainda detalha que, antes de efetuar o homicídio, passou em uma oficina para amolar a faca. A vítima foi socorrida a um hospital da região, mas não resistiu aos ferimentos.
Os policiais militares foram acionados para a ocorrência via Coordenadoria integrada de Operações de Segurança (Ciops). O suspeito foi preso próximo ao Liceu Estadual de Maracanaú. Ele ainda tentou empreender fuga, mas logo foi rendido. “Matiou” foi preso em flagrante e autuado no Artigo 121 do Código Penal, por homicídio doloso “cometido com a intenção de praticá-lo”.

Polícia evita fuga de 23 adolescentes de Centro Socioeducativo

Policiais militares que faziam patrulhamento próximo ao Centro Socioeducativo Passaré, no bairro de mesmo nome, evitaram a fuga de 23 adolescentes no início da tarde desta quinta-feira, 28.
Os jovens tentavam passar por um buraco feito no muro quando foram surpreendidos pelos militares que os fizeram retornar sem que houvesses conflito grave ou feridos.
O local não está superlotado, uma vez que abriga atualmente 62 menores, enquanto a sua capacidade é de 90.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Juiz corregedor dos Presídios proíbe entrada de presos na CPPL II por tempo indeterminado

O juiz Cézar Belmino Barbosa Evangelista Junior, corregedor dos Presídios e Estabelecimentos Penitenciários de Fortaleza, proibiu, por prazo indeterminado, o ingresso de presos na Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor Clodoaldo Pinto (CPPL-II), em face do excedente de 90,13% além da capacidade projetada.
O magistrado determinou ainda que presos condenados que eventualmente estejam lotados na CPPL-II sejam transferidos para estabelecimento prisional adequado, conforme os regimes (fechado e semiaberto), salvo
existindo riscos de prejuízo à segurança do interno. A decisão foi proferida nessa terça-feira (26/04). “Vislumbro ao analisar o pedido e documentos que constam nos autos que a situação da CPPL II pode ser desumana, posto que é praticamente impossível, em especial se considerarmos os fundamentos básicos da física e da matemática, que não podemos constar em um determinado espaço físico, ao menos em condições humanas, mais do que este espaço físico comporta”, destacou o corregedor.
Segundo o relatório da Defensoria Pública do Estado, a CPPL-II possui capacidade para 952 internos e atualmente conta com 1.810 homens recolhidos, ou seja, está com quase o dobro da capacidade. Em razão da superlotação, muitos presos estão vivendo em condições sub-humanas, alguns chegam a dormir no chão de banheiros.
No último dia 18, a Defensoria pediu informações à Direção da CPPL II acerca das condições de limpeza e segurança carcerárias do local. Foi informado que existem apenas quatro funcionários para fazer a limpeza e prestar outros serviços, como entrega de alimentos aos internos. Além disso, também foi mencionado que existem 60 agentes penitenciários em regime de plantão, o que torna a segurança e o serviço diário vulnerável, tendo em vista o número elevado de detentos.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Presos provisórios ocupam 72% das vagas em penitenciarias do ceará

Sete em cada 10 vagas no sistema prisional do Ceará são ocupadas por presos provisórios. O dado é do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen) do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), que reúne informações sobre a população carcerária do País. 
O número de pessoas privadas de liberdade no Brasil é de 622.202 até dezembro de 2014.
Divulgado na última segunda-feira (25), o relatório observa crescimento anual de 7% da população prisional - um aumento de 40.695 no número de detentos em relação a 2013. Trata-se da quarta maior população carcerária do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, China e Rússia, com déficit de 250.318 vagas.
No Ceará, o número de presos é 21.648, distribuídos por 11.476 vagas; 48,49% desse contingente é formado por presos provisórios, ou seja, que ainda estão aguardando julgamento e eventualmente podem ser considerados inocentes. No Estado, esses 10.497 presos à espera de julgamento ocupam, porém, 72% das vagas nas penitenciárias (8.262). É o maior percentual de vagas destinadas a prisões provisórias no País.
Titular da Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado, Hélio Leitão afirma que a situação no Ceará “é crônica”. “Pela legislação processual do Brasil, a prisão provisória deve ser um caso excepcional. Com essa cultura de encarceramento que se instaurou, temos uma banalização grave da prisão provisória”, explica. 
Falta de assistência
O levantamento aponta ainda que o Ceará é o quinto estado do País com maior porcentagem de pessoas cumprindo sentença em estabelecimentos que não dispõem de assistência judiciária - 30,82%. O defensor público Emerson Castelo Branco admite que faltam defensores públicos, mas diz que esse não é o problema. “Nós somos poucos? Somos. Mas damos conta do recado”, garante. 
 De acordo com ele, a principal causa da situação é a morosidade do Judiciário para julgar os casos. No Brasil, o prazo para terminar uma instrução processual é de 90 dias. O defensor conta, porém, que há casos de presos provisórios que estão esperando julgamento há quatro anos. “O Poder Judiciário, em algum momento - não sei qual - vai ter que acordar. Isso não existe”, critica.
O excesso de presos provisórios, que estrangula o sistema prisional, poderia ser aliviado com a implementação de penas alternativas e audiências de custódia, segundo César Barros Leal, procurador do Estado e presidente do Instituto Brasileiro de Direitos Humanos (IBDH). “Seria uma tentativa de reduzir esse populismo penal que prevalece no País. É preciso superar isso, e entender que o cárcere não tem a mínima condição de recuperar ninguém”, analisa. 
 Números
 10.497
é a quantidade de presos provisórios do sistema prisional no Ceará 
 48%
é o percentual que provisórios representam da massa carcerária 

21.648
é o número total da população carcerária no Estado 

Saiba mais

Números do sistema prisional no Ceará
Nos últimos 14 anos, a população do sistema prisional brasileiro teve um aumento de 167,32%.  

O ritmo de crescimento do encarceramento entre as mulheres é ainda maior que o geral (de 7% ao ano), na ordem de 10,7% ao ano.
 
64% das sentenças criminais de mulheres são por tráfico de drogas. 
 
O Ceará é o sexto estado brasileiro com menor índice de mulheres no sistema prisional (4,93%).
 
28% da distribuição de sentenças de crimes tentados ou consumados entre os registros se dá por tráfico de drogas – 3% a mais que roubo (25%), 18% a mais que homicídio (10%)

terça-feira, 26 de abril de 2016

Família de preso que cometeu suicídio em penitenciária deve receber indenização

A 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) condenou o Estado a pagar indenização de R$ 50 mil para família de preso de cometeu suicídio enquanto cumpria pena na Penitenciária Regional do Cariri (PIRC). A decisão teve como relatora a desembargadora Lira Ramos de Oliveira.
Segundo os autos, no dia 16 de junho de 2011, o homem foi encaminhado ao presídio após ser condenado a 22 anos de reclusão por latrocínio cometido na cidade de Tauá. No dia 8 de julho de 2013, foi encontrado morto dentro da cela isolada onde estava encarcerado. Ele utilizou fios condutores de eletricidade para praticar o suicídio.
Inconformado, o pai dele acionou a Justiça afirmando ser de responsabilidade objetiva do Estado a reparação por danos morais. Argumentou que cabe ao ente público zelar pela integridade física dos detentos.
Na contestação, o Estado alegou ausência de nexo causal entre o dano e a conduta adotada. Defendeu ainda culpa exclusiva da vítima e requereu a improcedência da ação.
Ao analisar o caso, o Juízo da 3ª Vara da Comarca de Tauá entendeu que o Estado tem a obrigação de manter a segurança e a vigilância dos presos. Em função disso, fixou indenização moral de R$ 50 mil.
Irresignado com a sentença, o ente público apelou para o TJCE. Sustentou que a responsabilidade objetiva por conduta omissiva é limitada pela necessidade de comprovação da culpa ou do dolo. Além disso, argumentou que o suicídio do detento seria um caso fortuito.
O recurso, no entanto, foi negado pela 6ª Câmara Cível, que manteve inalterada a decisão de 1º Grau. A desembargadora Lira Ramos destacou que “a responsabilidade civil da Administração quando o dano é gerado por suicídio de detento dentro da penitenciária é objetiva, fundada na teoria do risco administrativo, em face dos riscos inerentes ao meio em que eles estão inseridos por uma conduta do próprio Estado”.
A relatora também acrescentou que o ente público não demonstrou “a inexistência do fato administrativo, a inexistência de dano ou a ausência do nexo causal entre o fato e o dano, ônus que lhe competia”. Considerou ainda plausível e razoável o valor de R$ 50 mil referente à indenização por danos morais. A decisão foi proferida em sessão realizada no dia 20 de abril.
Com TJCE

18 Elementos de alta Periculosidade estão Foragidos do centro de triagem Criminológica de Caucaia

A Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado informa que 18 internos estão foragidos do Centro de Triagem e Observação Criminológica, em Caucaia. Ao todo 30 internos conseguiram fugir na madrugada desta segunda (25), mas 12 já foram capturados. Durante a noite, os presos cavaram um túnel de cerca de 5 metros de comprimento e conseguiram acessar a área externa à muralha. O túnel estava localizado na rua C do Pavilhão 2. Os reparos já foram feitos nesta manhã. A Polícia continua os trabalhos de busca e recaptura.
Estão foragidos: Antônio Rayan Pereira Lima (art. 157), Danilo Felix da Silva (art. 155), Diego Izaquiel (art. 157), Edson dos Santos (art. 155), Francisco Diego Lima Batista (art. 163), Francisco Rodrigues da Silva Junior, Inaldo Rosa de Carvalho Junior (art. 14), José Alex Gomes Lima, José Eduardo de Oliveira (art. 155), José Linardo Cabral Bezerra (art. 157), Luiz Claudio Alves de Lima, Marcelo Adriano Martins (art. 155), Marcos Antonio Frazão (art. 155 e 180), Otacilio Leandro Ferreira Filho (arts. 157 e 180), Romário Albino Freitas da Silva (arts. 157, 33 e 121), Rubens dos Santos Oliveira (arts. 16, 288, 157 e 121), valdizar de assuncao nogueira (arts. 155, 157 e 121) e Valterson Pereira dos Santos (art. 163)

domingo, 24 de abril de 2016

Calote eleva execuções de garantias e bancos passam a encalhar bens de devedores

O crescimento dos calotes está levando os bancos a executarem garantias de empréstimos que estão deixando de ser honrados, e que não são prioridade na fila das renegociações, por conta da paralisia da economia que afeta o caixa de pessoas físicas e jurídicas. Com isso, as instituições começam a colecionar uma lista de bens que vão dos tradicionais imóveis e veículos a aeronaves e maquinário da construção civil, setor impactado pela Lava Jato e pelo cancelamento de obras, fato que tem impulsionado o mercado bilionário de leilões.
A preocupação dos bancos em se livrar desses bens é porque mantê-los significa acumular ativos deteriorados, que pesam nos balanços na conta de despesas, provenientes dos custos jurídicos de manutenção e avaliação dos mesmos, fora uma maior pressão na rentabilidade que, consequentemente, reflete no índice de basileia – que mede quanto a instituição pode emprestar sem comprometer o seu capital. Nas palavras de um executivo que prefere não ser citado, essas instituições trocam recebimentos de créditos atrasados por “tijolos”, o que pode não ser um bom negócio.
“Não necessariamente o fato de o crédito ter uma garantia acoplada significa que está todo coberto. Há um aumento de garantias oferecidas, mas que nem sempre são fundamentais à medida que, para o banco, não é vantajoso ter de executá-las”, explica outro executivo, do alto escalão de uma grande instituição financeira.
Com o aumento dos bens desovados nas empresas de leilões, cresceu a quantidade de trabalho, mas o interesse dos participantes está mais voltado à compra de veículos diante do baixo apetite por automóveis novos. “Cresce a quantidade, mas o resultado não. Os bens já chegam valendo menos. Há uma crise de confiança. Estamos recebendo mais caminhões que antes não recebíamos, tratores da linha amarela, pá carregadeira, motoniveladora, mas que não têm demanda”, pontua Ronaldo Milan, da Milan Leilões. Na empresa, o volume de bens subiu 18% no primeiro trimestre, na comparação anual.
As alienações fiduciárias são comuns nos empréstimos bancários, mas quando os leilões não têm sucesso ou são cancelados, conforme o sócio do escritório Madrona Advogados, Marcelo Cosac, o bem pode se tornar um problema para o banco já que passa a ser de propriedade da instituição. Pior que isso, o devedor pode conseguir reconhecimento judicial da extinção de sua dívida com base na lei da alienação fiduciária. Ou seja, o credor acaba com uma garantia encalhada, depreciada e com baixa expectativa de recuperar o empréstimo mal sucedido.
“Os bens ficam nos ativos circulantes, mas vão consumindo basileia do banco. Além disso, há ativos de toda sorte. Vender um apartamento no Itaim ou em Copacabana é diferente de se desfazer de um prédio inacabado, um terreno no Nordeste ou no interior do Amapá”, admite o executivo de um banco.
Antes de ir a leilão, negociações são feitas na tentativa de o devedor colocar em dia sua dívida. Se tais tentativas não dão certo e o banco opta por executar a garantia, o bem vai direto para leilão. Na primeira tentativa, se o maior lance oferecido for inferior ao valor do imóvel há a obrigação ser realizado um segundo leilão, conforme a lei que trata sobre o tema. Nesse segundo certame, o maior lance será aceito, desde que ele seja igual ao superior ao valor da dívida e de todos os custos e despesas. Só depois, caso o bem em questão não seja vendido, é que passa a ser de propriedade definitiva do banco.
“Por um lado, o credor poderá vender o imóvel de forma privada, para quem quiser e ao preço que achar melhor, ou mesmo não vendê-lo se assim preferir, mas por outro esse imóvel a esta altura já provou não ser um ativo capaz de fazer frente ao valor do saldo devedor da dívida, virando um ‘abacaxi’ para o credor”, explica Cosac, acrescentando que a hipoteca não tem essa fraqueza legal, contudo, não blinda o crédito contra eventual procedimento de recuperação judicial ou falência.
É exatamente isso que não querem os bancos, afirma uma fonte de uma grande auditoria. Segundo ela, há bancos médios, por exemplo que estão abarrotados de carros usados e sem ver no horizonte um mercado em que seja possível a revenda. Depois da “bolha imobiliária” nos Estados Unidos, diz esse executivo, muitos imóveis foram retomados pelos bancos devido à falta de pagamento. Por lá, a grande quantidade de imóveis nas carteiras dos bancos movimentaram o mercado e acabaram, como consequência, jogando ainda mais para baixo o preço desses ativos.
André Zukerman, da Zukerman Leilões, lembra que os gastos do banco com imóveis que não foram vendidos vão além dos gerados pelo processo de leilão e incluem o pagamento de impostos, limpeza, condomínio. “O ideal é vender o quanto antes”, destaca ele, lembrando que essas instituições fazem de tudo para evitar até o cancelamento do leilão, por exemplo, quando o móvel vendido ainda está ocupado. No ano passado, a Zukerman registrou 29 cancelamentos equivalentes a R$ 8 milhões dos R$ 400 milhões que movimentou.
O cenário, de maior calote e dificuldade dos bancos de se desfazerem de bens retomados, abriu espaço, inclusive, para plataformas como a resale.com.br, lançada no ano passado, com a proposta de facilitar a aquisição de imóveis por pessoas comuns. Segundo o sócio-fundador da iniciativa, Marcelo Prata, somente o mercado dos chamados “móveis estressados” movimenta R$ 50 bilhões em todo o Brasil. Hoje a plataforma atua na venda dos imóveis retomados pelos bancos, mas, a partir de maio, também dará publicidade aos bens de leilões. “Até o final do ano, nossa base deve quintuplicar com o lançamento da nova versão da plataforma”, estima ele.
Pelas regras, os bancos têm prazo legal de um ano, que pode ser prorrogado por duas vezes, para se desfazer dos chamados bens que não de uso próprio (BNDU). Esgotado esse período sem que o bem tenha sido alienado, as instituições contam com até 60 dias para providenciar um leilão, sob aviso prévio do Banco Central, conforme circular pós lei 4.595. Porém, na visão de um executivo de um banco, a crise atual pode fazer com que seja necessário flexibilizar os prazos máximos para que dê tempo às instituições se desfazerem do crescente volume de garantias executadas. O BC, procurado pelo Broadcast, informou que não comenta estudos em andamento e que avalia caso a caso. Como se trata de uma lei, a mudança teria de ser aprovada no Congresso Nacional.
Mais complexo
A garantia fiduciária pode perder valor também na recuperação judicial, em que teoricamente esses credores estão fora do processo. Mas o entendimento da lei e dos juízes em relação ao tema por vezes tem sido um problema para os bancos. Alguns tribunais podem julgar desfavoravelmente à esse credor se a garantia dada comprometer a viabilidade de recuperação da empresa ou prejudicar a massa dos credores. Em casos recentes no setor de óleo e gás, por exemplo, como OSX e Schahin, grandes discussões ocorreram sobre a quem pertenciam garantias embora estivessem designadas a créditos específicos.
“Existe preocupação em relação ao modelo da alienação fiduciária pela complexidade que tem havido para realizar essa garantia”, diz a sócia do escritório Sergio Bermudes, Maria Azevedo Salgado acrescentando que, alguns tribunais, excluindo o Superior Tribunal de Justiça, cedem em favor da recuperada, tornando difícil a execução do bem.